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Endometriose pode estar ligada a mais de 600 outras condições de saúde

  • há 14 horas
  • 3 min de leitura


Por muito tempo, a endometriose foi tratada como uma doença exclusivamente ginecológica. Mas pesquisas recentes estão mudando essa visão de forma importante.

Em julho de 2025, pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCSF) publicaram um estudo na revista Cell Reports Medicine analisando os prontuários de milhões de pacientes nos seis centros de saúde da Universidade da Califórnia. O resultado chamou atenção: foram identificadas mais de 600 correlações entre endometriose e outras condições de saúde.

Algumas dessas associações já eram esperadas. Outras, como certas doenças oculares, câncer e asma, surpreenderam até os pesquisadores.

Por que a endometriose afeta tantos sistemas do corpo?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, ele responde às variações hormonais do ciclo menstrual, causando inflamação de forma contínua.

Essa inflamação não fica restrita à pelve. Com o tempo, ela pode afetar o sistema imunológico, o intestino, o sistema nervoso e outros órgãos, o que ajuda a explicar por que a doença aparece associada a condições tão diferentes entre si.

Condições frequentemente associadas à endometriose

Algumas das associações descritas na literatura científica nacional e internacional incluem:

  • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa

  • Doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjögren, tireoidite de Hashimoto e doença celíaca

  • Enxaqueca, incluindo estudos que apontam genes em comum entre as duas condições

  • Asma e outras doenças alérgicas

  • Fibromialgia e síndrome de fadiga crônica

  • Alterações de saúde mental, como ansiedade e depressão

  • Infertilidade e complicações obstétricas

Uma revisão sistemática publicada em 2024 no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences confirmou a associação entre endometriose e doenças autoimunes, especialmente lúpus e síndrome de Sjögren em mulheres mais jovens, além de doenças inflamatórias intestinais.

O que isso muda na prática?

Do ponto de vista clínico, esse conjunto de evidências reforça que a endometriose precisa ser investigada e acompanhada além da ginecologia.

Uma mulher com endometriose que desenvolve diarreia frequente, dores articulares ou fadiga persistente pode estar diante de condições associadas, não de sintomas isolados sem explicação.

Ao mesmo tempo, quando uma paciente recebe diagnóstico de doença de Crohn, de lúpus ou de tireoidite autoimune, vale investigar se há endometriose presente.

No Brasil, o diagnóstico de endometriose já é tardio em média seis a sete anos após os primeiros sintomas, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse atraso pode ser ainda maior quando os sintomas que levam a buscar ajuda são extraginecológicos.

Em resumo

A endometriose não é uma doença que começa e termina no útero. A ciência está mostrando que ela pode se conectar a muitas outras condições, e isso precisa ser levado em conta no acompanhamento médico.

Mulheres com endometriose merecem avaliação ampla, e sintomas em outros sistemas do corpo não devem ser ignorados.

Referências

 
 
 

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