O câncer de colo do útero está deixando de matar jovens. E isso não é acaso
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Recentemente, um estudo publicado na revista científica The Lancet revelou um dado histórico: entre 2020 e 2024, nenhuma mulher de 20 a 24 anos morreu de câncer de colo do útero na Inglaterra. É a primeira vez que isso acontece desde que existem registros da doença no país.
E existe uma explicação clara para esse resultado.
O feito foi atribuído ao programa de vacinação contra o HPV, iniciado ainda em 2008 para meninas de 12 e 13 anos e, depois, ampliado também para os meninos. Segundo estimativas dos pesquisadores, cerca de 200 mortes já foram evitadas desde a introdução da vacina no país.
A notícia é motivo de comemoração. Mas também é motivo de reflexão sobre o que ainda precisa avançar por aqui.
Um câncer amplamente evitável, mas ainda muito presente no Brasil
O câncer de colo do útero é considerado um dos tipos de câncer mais preveníveis que existem. Ainda assim, ele continua sendo um problema relevante de saúde pública no Brasil, atingindo especialmente mulheres com menos acesso à informação, à vacinação e aos exames de rastreamento.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam a projeção de cerca de 19,3 mil novos casos por ano no país entre 2026 e 2028. Um número expressivo para uma doença que, na maioria dos casos, poderia ser evitada.
O contraste entre o resultado observado na Inglaterra e a realidade brasileira mostra, na prática, o quanto políticas públicas bem estruturadas de vacinação e rastreamento fazem diferença ao longo dos anos.
HPV: muito mais comum do que se imagina
O HPV (papilomavírus humano) é uma infecção extremamente comum, transmitida principalmente por contato sexual. Na maioria das vezes, o próprio organismo consegue eliminar o vírus sozinho. O problema surge quando a infecção persiste por tipos de HPV de alto risco, o que pode levar, ao longo dos anos, a lesões que evoluem para o câncer de colo do útero.
Por isso, dois pilares seguem sendo essenciais na prevenção: a vacinação, que protege antes da exposição ao vírus, e o rastreamento periódico (o exame conhecido popularmente como Papanicolau), que permite identificar lesões em estágio inicial, antes que evoluam para algo mais grave.
Vacinação: a prevenção que começa antes do problema existir
A vacina contra o HPV é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, momento em que oferece o maior nível de proteção. É por isso que a recomendação prioriza adolescentes.
No Brasil, a vacinação segue disponível e, recentemente, o Ministério da Saúde prorrogou até o fim do ano a possibilidade de imunização para jovens de até 19 anos que ainda não se vacinaram. Uma oportunidade importante para quem perdeu a janela ideal na adolescência, mas ainda pode se beneficiar da proteção.
Rastreamento: a segunda camada de proteção
Mesmo entre mulheres vacinadas, o acompanhamento ginecológico regular continua sendo indispensável. O exame preventivo permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que se tornem um problema maior, possibilitando tratamento em fases muito mais simples da doença.
Ainda existe, no entanto, uma lacuna significativa de cobertura desse rastreamento no país, o que reforça a importância de cada mulher manter o acompanhamento periódico com seu ginecologista, independentemente da idade ou histórico vacinal.
Prevenção não deveria depender de sorte
O resultado observado na Inglaterra mostra que é possível, sim, caminhar para a eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública. Mas isso depende de constância: vacinação em dia, exames periódicos e acompanhamento médico especializado, sem interrupções.
Se você não sabe se está com a vacinação em dia ou há quanto tempo não faz seu exame preventivo, uma avaliação ginecológica é o primeiro passo para colocar sua saúde de colo de útero em dia.
Referências
The Lancet. Estudo sobre mortalidade por câncer de colo do útero em mulheres jovens na Inglaterra, 2020–2024 (2026).
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativas de câncer de colo do útero no Brasil, 2026–2028.
Ministério da Saúde. Prorrogação da vacinação contra HPV para jovens até 19 anos, jul. 2026.




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