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Endometriose sem dor intensa: quando o silêncio também é um sinal de alerta

  • há 23 horas
  • 3 min de leitura


Durante anos, a endometriose foi associada quase exclusivamente a um único sinal: a dor. Cólicas incapacitantes, dor durante a relação, dor pélvica que não passa. Foi assim que a doença ficou conhecida — e é assim que a maioria das mulheres aprende a reconhecê-la.

Mas a realidade clínica mostra um cenário mais amplo do que isso: existe uma parcela de mulheres que convive com a endometriose sem nunca ter sentido dor relevante.


Nem toda endometriose dói


Estudos indicam que entre 5% e 25% das mulheres com endometriose podem não apresentar sintomas perceptíveis no dia a dia [1][2]. Ou seja: é possível ter lesões ativas e não sentir a dor que costuma ser o principal motivo de buscar um ginecologista.

Essa faixa não representa uma exceção rara — é uma parcela relevante de casos. Por isso, a ausência de dor não pode ser interpretada como ausência de doença.


Por que isso acontece


A intensidade dos sintomas não está diretamente ligada à extensão da doença. Uma mulher pode ter lesões pequenas e sentir dor intensa. Outra pode ter lesões mais extensas e sentir muito pouco, ou nada. O corpo de cada paciente responde de um jeito diferente à inflamação causada pela endometriose, o que torna o quadro clínico bastante variável de mulher para mulher [1].

Isso significa que confiar apenas na dor como critério de investigação pode deixar passar diagnósticos importantes.


Mesmo sem dor, a fertilidade pode ser afetada


Um dos pontos mais relevantes sobre a endometriose assintomática é que ela não deixa de ter impacto só porque não dói. A inflamação crônica gerada pelas lesões pode alterar o ambiente pélvico, interferir na qualidade dos óvulos e dificultar a implantação do embrião — mesmo quando a mulher nunca sentiu nenhum sintoma físico da doença [1].

É por isso que, em investigações de infertilidade sem causa aparente, a endometriose entra como uma hipótese a ser considerada, mesmo na ausência de dor [3].


Como ela costuma ser descoberta, então?


Na maioria dos casos assintomáticos, o diagnóstico surge de duas formas:

  • Durante exames de rotina, quando um achado no ultrassom ou na ressonância levanta a suspeita

  • Durante a investigação de dificuldade para engravidar, quando a endometriose é identificada como possível fator associado [4]

Os avanços nos exames de imagem — como a ressonância magnética e o ultrassom com preparo intestinal — tornaram esse tipo de diagnóstico mais preciso, permitindo identificar a doença antes mesmo que ela avance ou cause complicações mais sérias [1].

O que fazer com essa informação

Isso não significa que toda mulher deve viver em alerta constante. Significa, principalmente, que os exames ginecológicos de rotina continuam sendo importantes mesmo quando não há nenhuma queixa — e que, diante de qualquer dificuldade para engravidar, vale considerar a investigação também por esse ângulo.

A endometriose sem dor desafia a forma como a maioria das pessoas aprendeu a reconhecer a doença. E é justamente por isso que a informação de qualidade, aliada ao acompanhamento individualizado, segue sendo a ferramenta mais eficaz para identificá-la a tempo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.



Referências


[1] Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE). Endometriose assintomática: quando não há dor. Disponível em: SbendometrioseEndometriose assintomática: quando não há dor - Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Mininamente Invasiva

[2] Sanarmed. Endometriose: aprenda a identificar e tratar a doença. Disponível em: SanarmedEndometriose: aprenda a identificar e tratar a doença

[3] Clínica Origen. Endometriose assintomática: saiba mais sobre o assunto. Disponível em: OrigenEndometriose assintomática: saiba mais sobre o assunto » Clínica Origen | Fertilização in Vitro

[4] Dr. Luiz Flávio. Endometriose assintomática: consequências. Disponível em: DrluizflavioEndometriose assintomática: consequências | Dr. Luiz Flávio

 
 
 

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