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A menopausa virou um mercado bilionário. Mas o cuidado com a mulher ainda não acompanhou esse crescimento

  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

O climatério e a menopausa deixaram de ser um assunto silenciado. Nos últimos anos, o tema ganhou espaço em pesquisas, reportagens e, principalmente, no mercado. Só no Brasil, produtos e serviços voltados ao envelhecimento feminino, prevenção, bem-estar e procedimentos relacionados a essa fase já movimentam centenas de milhões de reais por ano, com projeção de crescimento ainda maior até o fim da década.

E existe um motivo para esse crescimento acontecer justamente agora.

Cada vez mais mulheres estão vivendo mais tempo, e uma parte significativa dessa vida acontece depois dos 40 anos, período em que o climatério se inicia. O mercado percebeu essa demanda. A informação e o acompanhamento médico especializado, no entanto, ainda não cresceram na mesma velocidade.


Um mercado que cresce mais rápido que a informação


Levantamentos recentes mostram um cenário curioso: enquanto o mercado voltado à menopausa se expande rapidamente, boa parte das mulheres nessa fase da vida ainda desconhece conceitos básicos sobre o próprio corpo.

Mais da metade das mulheres acima de 50 anos não sabe explicar o que é climatério. E a maioria ainda associa a menopausa a ideias de finitude ou perda de vitalidade, quando na verdade se trata de uma nova fase, com necessidades específicas de cuidado.

Do lado médico, o cenário também chama atenção: apenas uma pequena parcela dos ginecologistas tem formação específica voltada ao climatério e à menopausa. Ou seja, o problema não é falta de interesse do público, é falta de acesso a informação qualificada e a profissionais preparados para esse acompanhamento.


Por que esse descompasso acontece


Durante décadas, o climatério foi tratado como um tema tabu, quase nunca discutido abertamente entre mulheres, muito menos com profissionais de saúde. Os sintomas eram vividos em silêncio, muitas vezes atribuídos ao estresse, à idade ou até minimizados como "coisa da cabeça".

Esse silêncio teve um custo: gerações inteiras de mulheres passaram pelo climatério sem orientação adequada, sem saber que existem hoje opções seguras de acompanhamento e tratamento individualizado.

O crescimento do mercado é, em parte, reflexo de uma mudança cultural: mulheres estão buscando ativamente informação e cuidado. O desafio agora é garantir que essa busca leve a atendimento especializado e baseado em evidência, e não apenas a produtos e soluções genéricas.


O que realmente importa nessa fase da vida


Do ponto de vista médico, climatério e menopausa não são sinônimos. O climatério é a fase de transição hormonal, que pode durar anos antes da última menstruação. A menopausa é um marco específico: a confirmação de 12 meses consecutivos sem menstruar.

Os sintomas vão muito além dos conhecidos fogachos. Alterações de sono, oscilações de humor, ressecamento vaginal, dor nas relações e queda de energia também fazem parte desse período e merecem avaliação individualizada, não apenas soluções padronizadas encontradas no mercado.

Cada mulher vive essa transição de um jeito. E é justamente por isso que o acompanhamento com um especialista, que avalie histórico, sintomas e riscos de forma personalizada, continua sendo insubstituível, independente de quantos produtos surjam para essa fase.


Informação de qualidade não deveria ser um privilégio


O crescimento do interesse por esse tema é positivo. Mostra que o silêncio em torno do climatério está, aos poucos, sendo quebrado.

Mas informação de qualidade e acompanhamento médico especializado não deveriam depender de quanto uma mulher está disposta a gastar em produtos de bem-estar. Deveriam ser o primeiro passo, antes de qualquer solução comercial.

Se você está no climatério ou percebe sintomas de transição hormonal, uma avaliação especializada é o caminho mais seguro para entender o que está acontecendo com o seu corpo e encontrar o acompanhamento certo para essa fase.



Referências


  1. Levantamento sobre o mercado do climatério e da menopausa no Brasil, produzido em parceria com a startup NoPausa (2026).

  2. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Dados sobre climatério e menopausa no Brasil, com base em estimativas do IBGE (2026).

 
 
 

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