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Síndrome dos ovários policísticos mudou de nome

  • 9 de jun.
  • 2 min de leitura


A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) pode deixar de existir com esse nome nos próximos anos. E essa mudança vai muito além de uma nova sigla.

Um novo consenso global publicado no The Lancet propôs que a condição passe a ser chamada de:

SOMP — Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina

(Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome — PMOS)

A proposta surgiu porque o nome atual, “síndrome dos ovários policísticos”, sempre gerou uma interpretação limitada e, muitas vezes, equivocada sobre a doença.

Afinal, a SOP nunca foi apenas uma doença de “cistos nos ovários”.

Na prática, o que acontece é uma alteração no desenvolvimento dos folículos ovarianos, associada a desequilíbrios hormonais, metabólicos e ovulatórios complexos.

E é justamente isso que o novo nome busca corrigir.


Por que a mudança de nome é importante?


O termo “ovários policísticos” faz muitas mulheres acreditarem que o principal problema da síndrome são os cistos.

Mas muitas pacientes com SOP sequer apresentam ovários policísticos no ultrassom. E outras mulheres podem ter múltiplos folículos ovarianos sem possuir a síndrome.

Além disso, o nome atual acaba deixando em segundo plano alterações importantes que fazem parte da condição, como:


Resistência à insulina

Alterações hormonais

Irregularidade menstrual

Hiperandrogenismo

Infertilidade

Acne e queda de cabelo

Inflamação crônica

Risco cardiovascular aumentado

Alterações metabólicas

Impactos emocionais


A nova nomenclatura reconhece que essa é uma síndrome que envolve múltiplos sistemas do organismo — e não apenas os ovários.

Mais do que uma mudança estética, o objetivo é transformar a forma como profissionais e pacientes enxergam a doença.


O que muda na prática para as pacientes?


A principal mudança é conceitual.

Durante muitos anos, o tratamento da SOP ficou excessivamente focado apenas em “regular o ciclo” ou controlar sintomas isolados.

Mas hoje entendemos que a síndrome exige uma avaliação muito mais ampla.

É preciso investigar metabolismo, resistência à insulina, composição corporal, sono, alimentação, ovulação, inflamação, saúde emocional e fatores hormonais associados.

Ou seja: o tratamento precisa olhar para a saúde integral da mulher.

Essa mudança reforça algo muito importante dentro da ginecologia moderna:

não basta apenas silenciar sintomas temporariamente. É necessário compreender o funcionamento do organismo como um todo.


Os critérios diagnósticos mudam?


Por enquanto, não.

Os critérios diagnósticos atuais permanecem os mesmos, utilizando combinação entre sintomas clínicos, exames hormonais e ultrassom, sempre excluindo outras doenças hormonais semelhantes.

A discussão atual está relacionada principalmente à forma como a síndrome é compreendida e comunicada internacionalmente.

A proposta do nome SOMP representa um avanço importante porque aproxima a nomenclatura da verdadeira complexidade da condição.

Mais do que uma síndrome ovariana, estamos falando de uma condição hormonal e metabólica que pode impactar diferentes áreas da saúde feminina ao longo da vida.

Se você apresenta irregularidade menstrual, acne persistente, dificuldade para emagrecer, alterações hormonais ou suspeita de SOP, procure avaliação especializada.


Referências:

  1.  The Lancet Diabetes & Endocrinology. International perspectives on redefining PCOS/PMOS. 2025.

  2.  Teede HJ, Tay CT, Laven JJE, et al. Recommendations From the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Fertility and Sterility. 2023.

  3.  Monash University Centre for Health Research and Implementation. International PCOS Guideline. Available from:

  4. International PCOS Guideline

 
 
 

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